Projeto de Filosofia do curso de Jornalismo da Faculdade Casper Libero
(1ºJOD)
Professor Dr. Dimas Künsch

Ignorantes

Histórico

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Utopia: breve comentário sobre o seminário

Assistimos ontem ao seminário do Grupo 2, O Olho do Tigre, sobre o livro Utopia, de Thomas More. Antes de fazer qualquer comentário mais aprofundado, gostaria de postar um texto meu com o qual automaticamente relacionei a apresentação de nossos colegas, que mostra o meu ponto de vista acerca do assunto. Segue, abaixo.


Ah, Utopia. Quantos não foram os dias que me salvastes da miséria que envolvia a realidade, quantos não foram os sonhos que acolhestes certamente incerta, quantas não foram as lágrimas que secastes com esperança, quantas não foram os desgraçados que em ti acreditaram e assim prosseguiram.

Utopia, querida, destes tudo aos que nada tinham, destes força aos mais enfermos de espírito, destes luz e vida. Tú, ilusão que não canso de ter, providenciastes um mundo melhor e justo, mesmo que provavelmente inexistente.

E penso que serás tú que fará nascer nos homens, como dantes já fizestes, a chama que clama por igualdade e felicidade.

Acreditar é o primeiro passo, mesmo em algo improvável, pois o improvável só torna-se impossível sem crença, sem tentativa, sem a Utopia que dá forças para criar uma realidade melhor. Parece bobo, ingênuo. Mas será com olhos de criança, sedentos de humanidade, que enxergaremos a Terra que construiremos. E será com olhos de cidadãos conscientes, maduros e realistas, que construiremos a Terra que enxergarmos.

Tanto já conseguiram os cientistas, os capitalistas, os revolucionários, os militares, os médicos.

Por quê não nós, utópicos? Acreditar é o primeiro passo, acredite.

.Acredite.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

MANIFESTAÇÃO NESSA QUINTA FEIRA

Achei interessante uma informação que li na última postagem do blog FOCO FILOSOFIA, feita pela Daniella do Jô C, e resolvi ler mais sobre o assunto para publicá-lo aqui.
Depois de semanas de ocupação de reitorias, assembléias e polêmicas, os alunos das universidades públicas resolveram fazer algo diferente para defenderem seus ideais contra os decretos de José Serra.
Ao invés de promoverem qualquer tipo de balbúrdia ou passeata, a idéia é fazer uma grande intervenção geral feita por todos os que são contra os decretos do governador e querem se manifestar, esteja em greve ou não, seja de universidades públicas, ou não. Essa manifestação foi denominada FLASHMOB e funcionará assim:
-Será uma mobilização relâmpago, de duração de apenas 5 minutos,
-Haverá o fechamento das 5 principais avenidas da cidade do seu campus,
-Serão feitas uma faixa para cada avenida, com uma frase de insatisfação em cada.
-Serão feitos panfletos manifestando a insatisfação coletiva com o governador.

Nestes 5 minutos os estudantes irão entregar panfletos de fácil compreensão para motoristas e pedestres . A idéia é que a manifestação seja pacífica e silenciosa, e que atinja diretamente a mídia e a população com o objetivo de que fique bem claro que as três universidades estão, além de insatisfeitas, unidas!

Frases segeridas para as faixas (segundo o site www.contraosdecretos.cjb.net)

1. Contra os decretos: A FAVOR DA TRANSPARÊNCIA.
2. Contra os decretos: ENSINO SUPERIOR NÃO É TURISMO.
3. Contra os decretos: CONTRA A INCONSTITUCIONALIDADE.
4. Contra os decretos: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO PÚBLICA.
5. Contra os decretos: DECLARAÇÃO NÃO, REVOGAÇÃO!

Em São Paulo, o FLASHMOB vai acontecer nas seguintes avenidas:Avenida Paulista, Praça da Sé (Rua Benjamin Constant), Av. Rebouças, Av.Ipiranga (Av.São João) e Av.Brasil (Av. Brigadeiro Luiz Antônio).

Fica aí o convite a todos.

É uma pena que esse espírito de engajamento político e uso da criatividade para alcançar ideais de uma educação de melhor qualidade não esteja presente na maioria dos estudantes das escolas privadas - que pagam por essa educação, e em sua maioria, não se preocupam em questionar a qualidade do que estão pagando.
Alunos das instituições públicas têm o direito de cobrar do governo, mas nós, das escolas privadas, também o temos te cobrar de nossas instituições.Quem de vocês, que está lendo meu texto agora, e estuda na Cásper, já se preocupou em saber quem está no comando do Centro Acadêmico da Faculdade e o que está sendo feito? Poucos sabem das propostas da nova chapa ("Mal Educados"), e a maioria não tem o conhecimento de que pouco tem se conseguido fazer para melhorar a qualidade da educação na faculdade e controlar o aumento de preços da Faculdade, do restaurante "Monet" e do xerox.
Termino esse post, com uma música do Cazuza, que nunca esteve tão atual, perante a falta de ideologias da maioria dos jovens...pricipalmente os das Universidades privadas!

IDEOLOGIA - CAZUZA

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas..
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Ah, eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
O meu tesão
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Pra viver
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro(em cima do muro)
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Pra viver

Forte Abraço!

terça-feira, 19 de junho de 2007

O Prazer hoje

Em 31 de maio, assistimos ao mini-seminário do grupo Cabeças Bem Feitas, cujo tema central foi o prazer e seu conceito contemporâneo.
Atualmente, a busca pelo prazer tem-se integrado à busca pela felicidade, e ambas apóiam-se na ilusão do imediatismo e da simplificação das sensações e sentimentos.
Como conseqüência da modernidade e da rapidez tecnológica advinda da mesma, veio a distorção dos valores sociais, bem como das representações das necessidades humanas, físicas e emocionais. Superficialidade é a palavra-chave.
Usando como referências o livro Vida Líquida, de Zygmunt Bauman e as idéias de Hanna Arendt, teórica alemã, o grupo teceu comentários sobre as noções de prazer de nossa sociedade, apoiadas e difundidas pela mídia através de revistas de moda, programas de televisão, entre outros. O prazer imediato interessa para o consumo, pois ele gera uma satisfação apenas momentânea, portanto o consumidor voltará a procurar outras maneiras igualmente supérfluas, consumindo cada vez mais este modelo incompleto e simplificado de prazer.




Parabenizamos ao grupo pela escolha do tema, muito atual e interessante para discussão, bem como pela abordagem do mesmo!







Obs: Destaco aqui a publicação Biblioteca do Professor, da Revista Educação, Editora Segmento, cuja edição 4 é um especial da vida, obra e idéias de Hannah Arendt.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Mini-seminário e algumas reflexões...

O mini-seminário dos ignorantes tratou de um assunto que permeia nosso cotidiano e nem sempre recebe a devida atenção: o humor. O grupo mostrou os diveros olhares das produções artíticas e sociais, desde as primeiras abordagens do tema, como Moliére e Gil Vicente, até projetos sociais que usam o bom humor como cura.
As duas vertentes do humor, a que produz bom efeitos, e a que produz efeitos negativos, foram expostas como umaa maneira de reflexão. Ao invés de praticar o bulling, não é melhor ajudar alguém que não teria motivos para sorrir?
A conclusão está nas palavras de um gênio do humor, Charles Chaplin: "Você já tornou alguém feliz hoje? Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?"

sábado, 12 de maio de 2007

Eu, Robô

Não vou falar do blockbuster do Will Smith (provavelmente o número um no ranking das demonstrações telões de alta definição nas lojas de eletrônicos) mas do livro de Isaac Asimov, de quem o referido filme tomou emprestado o título e pouca coisa mais.

Asimov (1920-92) foi bioquímico com Ph.D. em Columbia e um cultuadíssimo autor de ficção científica conhecido por incluir conceitos científicos complexos explicados de forma acessível em suas histórias. Criou um universo próprio para suas narrativas onde a humanidade convive com diversos tipos de robôs equipados com cérebros positrônicos (que funcionariam como o cérebro humano porém com capacidade de processamento violentamente superior). Nas histórias do cientista os robôs têm seu livre arbítrio limitado pelas suas famosas três leis da robótica:
  1. Um robô não pode fazer mal a um ser humano nem lhe deixar algum mal acontecer;
  2. Um robô deve obedecer às ordens dos seres humanos;
  3. Um robô deve defendera si próprio.
  • (As leis da robótica não se aplicam quando entram em conflito com outra precedente)
Eu, Robô (1950) é um livro de contos que narram a evolução dos robôs desde as primeiras máquinas, num tempo próximo ao nosso, até um futuro próximo onde a existência humana é radicalmente afetada e até condicionada à existência de supercomputadores conscientes e capazes de aparentemente qualquer coisa.
Cada conto do livro é um pequeno quebra-cabeça lógico sempre relacionado com as três leis, em todos são explorados tanto princípios científicos como comportamentos humanos. Listei alguns dos interessantes personagens dos contos:
  • QT-1 (Cutie): Criado para trabalhar numa usina de energia no espaço, Cutie começou a questionar sobre sua origem e razão da sua existência, concluindo que algum ser superior o havia certamente criado. A esse ser desconhecido chamou de Mestre (ou Senhor). Ridicularizou os cientistas quando o tentaram fazer entender que tinha sido criado pelos frágeis e intelectualmente limitados seres humanos.
  • RB-34 (Herbie): Devido a um defeito nunca encontrado, Herbie tinha a capacidade de ler pensamentos humanos e, como pelas leis da robótica não podia ferí-los, tornou-se o primeiro robô da história a aprender a mentir.
  • Stephen Byerley: Político de carreira promissora a quem um rival inescrupuloso deseja investigar. A razão: Stephen embora humano é conhecidamente respeitador das três leis da robótica. (Não machuca nenhuma pessoa, obedece as leis e se defende quando ameaçado).
  • Susan Calvin: Susan é o fio condutor do livro, escrito na forma de uma entrevista com esta psicóloga e especialista em robôs. Para ela, os robôs são seres humanos melhorados pela incapacidade (pelas três leis) de praticar o mal.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Análise COMPLETA do nosso seminário.

A metodologia utilizada pelo grupo, douta-ignorância , foi de subdividir o grupo para que o blog, o seminário e o mini-seminário ficassem aos cuidados de componentes diferentes. Sendo assim, Elton, Lígia, Fernanda, Malú, Bia e Lucílio cumpriram com perfeição sua parte da tarefa.
A apresentação foi feita, basicamente, de paralelos e comparações dos comportamentos de Sócrates e Martin Luther King, juntamente com uma análise geral da trajetória de ambos.
Luther King, tornou-se um dos mais importantes líderes do ativismo pelos direitos civis (para negros e mulheres, principalmente) nos Estados Unidos e no mundo, através de uma campanha de não-violência e de amor para com o próximo( assim como Sócrates). Se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964, pouco antes de seu assassinato.
Diante da falta de ideologias dos jovens atuais, e da característica “apática” apresentada por grande parte dessa geração, é interessante nos remetermos a comportamentos como esses, e refletirmos sobre suas consequências para a humanidade. O orgulho de ser negro, e a vontade de mudar, tornam Luther King um ícone mundial.
Para encerrar o seminário, o grupo mostrou um clipe, com, a música “One Love”- U2, com fotos de pessoas que morreram para defender um ideal. Alguns dos mostrados foram: Tiradentes, Jesus Cristo, Antônio Conselheiro, Che Guevera, Nelson Mandela, Gandhi, John Lennon, entre outros.
Termino esse post, parabenizando o grupo pela apresentação, e deixando para nossa reflexão, um dos mais belos dircursos de todos os temos, feito por Martin Luther King:

I HAVE A DREAM
Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Indepêndencia, estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.
Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nosssos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inextricavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.
Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amnhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano.
Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais".
Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.
Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo spiritual negro:
" Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim.

Um pouco mais sobre o Método Socrático


Tendo a Roberta falado um pouco mais da relação estabelecida entre Martin Luther King e Sócrates, detalharei um pouco mais a respeito do Método Socrático, assunto também discutido na apresentação.
O método socrático consiste numa prática muito famosa de Sócrates, o filósofo, em que, utilizando um discurso caracterizado pela maiêutica e pela ironia, levava o seu interlocutor a entrar em contradição, tentando depois levá-lo a chegar à conclusão de que o seu conhecimento é limitado.
Criada por Sócrates no século IV a.C., a maiêutica é o momento do "parto" intelectual da procura da verdade no interior do Homem. A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum - "conhece-te a ti mesmo" - põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude. Sócrates aplicou-a para questionar os supostos "detentores do conhecimento", que na verdade eram os nobres, que diziam-se mais sábios que o resto da população, e logo, que podiam controlá-los, pois eram superiores. Sócrates, em praça pública, questionava os nobres e suas atitudes, e estes, nada sabiam responder. Mostrou para todos que os nobres apenas tinham mais dinheiro, mas em relação ao resto, eram iguais ao povo.
Maiêutica é também sinônimo de obstetrícia, parte da medicina que estuda os fenômenos da reprodução na mulher. Maiêuta é o médico que presta assistência à mulher e seu feto no período de gravidez, assim como a mãe de Sócrates.


"É o método que consiste em parir idéias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro dum contexto."


Beijos aos ignorantes!