Projeto de Filosofia do curso de Jornalismo da Faculdade Casper Libero
(1ºJOD)
Professor Dr. Dimas Künsch

Ignorantes

Histórico

sábado, 29 de dezembro de 2007

Pá de Cal

Terminando o ano, acertando os ponteiros, fechando a conta. Como o blog já tinha sido mesmo abandonado no meio corre-corre de entrega de trabalhos nos últimos bimestres só faltava o enterro oficial.
Se é de interesse de alguém todos os alunos envolvidos nesse projeto foram aprovados tanto em Filosofia como nas demais matérias. Para alegria de uns e desespero de muitos, nos aturaremos no próximo ano, quem sabe inteiro, naquele mesmo endereço abafado da Av. Paulista.

Té.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

“O mito é o nada que é tudo.O mesmo sol que abre os céusÉ um mito brilhante e mudo.” Fernando Pessoa


A representação do mito foi o tema central do mini-seminário do grupo "Cabeças bem feitas". A origem histórica foi abordada através da exibição do filme "Tróia", e do questionamento das raízes da questão. Pode se afirmar que é uma narrativa simbólica. Há dois olhares sobre esse conceito.

O primeiro: No nosso cotidiano, mesmo sem perceber, por meio de cenários hipotéticos, desenvolvemos verdades que assumimos como padrões. O sentindo que a palavra 'mito' pode ter é justamente o de expressar os fenômenos sobrenaturais que nos cercam. O Pelé é um mito para o futebol, a Gisele Bündchen um mito para as passarelas, e assim por diante... Referenciais de pessoas, fatos, ritos ou culturas, que por excelência, se destacam da média, e que nós tomamos como modelo.

O segundo:
É uma maneira deselegante para se fazer menção às crenças do senso-comum.
Por não levarem em consideração, na maior parte das vezes, o raciocínio lógico não são assumidas como verdades pela ciência, e por alguns outros grupos.

O questionamento que fica: os mitos tem, ao mesmo tempo, a função de serem referências e meras histórias, apenas para amenizar a mente do ser humano? Por que criamos os mitos?

Ignorantes, o debate está aberto!


domingo, 2 de setembro de 2007

Dando o primeiro passo


Foi no dia 23 de agosto que o grupo Olho do Tigre apresentou seu mini-seminário. Dessa vez, o tema escolhido foi o egocentrismo, sentimento que pode ser considerado inato em nós, seres humanos, mas que certamente foi reforçado pela lógica individualista incutida na sociedade atual pelo capitalismo. O grupo discorreu sobre filósofos como Martin Buber e Dalai-Lama, mas eu particularmente penso que o ponto forte do mini foi o enfoque dado à África.
O grupo começou sua reflexão mostrando a conhecida foto de Kevin Carter tirada no Sudão, na qual um abutre espera a morte de uma criança para devorá-la. Esta imagem rendeu ao fotógrafo o Pulitzer de 1994 e chamou a atenção do mundo inteiro para a questão da fome na África, mas logo começaram a chover perguntas sobre o que havia sido feito para salvar a criança. Kevin apenas tirou sua foto, tentou espantar o urubu e vendo que este ato era inútil, foi embora, deixando a criança no local. Teria ele cumprido seu dever como jornalista, levando a foto ao conhecimento do mundo sem interferir na realidade, ou será que Kevin cometeu um ato puramente egocêntrico ao se aproveitar de uma criança moribunda para se tornar um fotojornalista conhecido e ganhar um Pulitzer, sem ao menos se importar em tentar salvar a vida dela?
Talvez nunca seja encontrada uma resposta para esta questão. O fato é que Kevin foi atormentado até os últimos dias de sua vida pela imagem que o tornara famoso, e acabou se suicidando em julho de 1994. Mas, como foi dito pelo grupo, ele pode ter dado o primeiro passo para denunciar as mazelas vividas pelos africanos. Ainda falando da África, foi passado um trecho do filme Hotel Rwanda, que trata do genocídio ocorrido neste país quando a maioria da etnia hutu decide exterminar a minoria tutsi. A cena foi mostrada para ilustrar uma característica da nossa sociedade: quando lemos algum jornal ou vemos o noticiário da TV, um turbilhão de tragédias passa a frente de nossos olhos. Diante delas, podemos até nos emocionar ou fazer um comentário do tipo: "que horror", mas logo em seguida continuaremos nosso jantar como se nada tivesse acontecido.
As guerras, a fome, as doenças estão do outro lado do planeta; nosso contato com elas se dá apenas pelo noticiário. Em que nos afetarão? O que podemos fazer para mudar este quadro? Nada, dirão muitos. Este é o pensamento tipicamente egocentrista de nossa sociedade, mas felizmente nem todos partilham dele. O grupo citou exemplos de pessoas que, como Kevin Carter, também deram o primeiro passo, desde Martin Luther King até Ronaldinho, que protestou contra o racismo no futebol. Acho que com esta última citação o grupo quis dizer que não é necessário tornar-se um mártir e entrar na história para se livrar das rédeas egocêntricas que nos guiam; isto pode ser feito através de pequenas ações, gestos, protestos, denúncias, ou seja, dando-se o primeiro passo. Você já deu o seu hoje?

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Curso: A Filosofia do Livre Arbítrio

A quem interessar possa, um curso na Casa Do Saber Jardins chamado "A Filosofia do Livre Arbítrio". É caro, mas os cursos de lá são muito bons, quem tiver a oportunidade não vai se arrepender!


O HOMEM É LIVRE?
Liberdade e Determinação, com Franklin Leopoldo e Silva

Dédalo e Ícaro, de Charles Paul Landon

Este curso apresenta como grandes filósofos pensaram temas como o "destino", o livre arbítrio e as escolhas do indivíduo. Os defensores do livre arbítrio acreditam que o homem é livre para direcionar a própria existência. Já os deterministas crêem que as decisões do ser humano são resultantes de influências externas e internas. O embate entre estes pontos de vista produziu uma rica discussão, que vem desde os primórdios da história da filosofia.

Aulas
Vida teórica e vida prática em Aristóteles - 03/09
Liberdade, necessidade e destino: a imagem estóica da vida - 10/09
As desventuras do livre-arbítrio em Santo Agostinho - 17/09
A vontade infinita da criatura finita: Descartes - 24/09
Razão e liberdade ou o dever de ser livre: Kant - 01/10
A fatalidade da liberdade: Sartre - 08/10

Professor: Franklin Leopoldo e Silva
Dias: Segundas-feiras, às 20h (03/09, 10/09, 17/09, 24/09, 01/10, 08/10)
Local: Casa do Saber (Jardins)
Valor: R$ 180 na inscrição + 2 parcelas de R$ 180
Inscrições pelo telefone 3707-8900. Vagas limitadas.

Franklin Leopoldo e Silva é professor titular de História da Filosofia Moderna e Contemporânea da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Fonte: http://www.casadosaber.com.br/

domingo, 19 de agosto de 2007

Escolhas e mais escolhas...


Foi escolhido pelo Grupo 1 um tema com enorme campo de abordagem: o livre-arbítrio. O grupo deixou bem claro o significado da palavra livre-arbítrio: Possibilidade de decidir; escolher em função da própria vontade, isenta de qualquer condicionamento, motivo ou causa determinante.


Ao falar do tema o grupo começou citando o Pecado Original, onde Eva "escolhe" experimentar o fruto proibido, voltando-se para o campo da religião. Ao comentar sobre a religião uma dúvida pode aparecer em nossos pensamentos: seria a religião uma ameaça ao livre-arbítrio? Já que a religião impõe "certas regras".


Santo Agostinho fora citado por ter estudado o livre-arbítrio, assim como o conceito de liberdade indagado por Nietzsche. O grupo também apresentou imagens do filme "Todo Poderoso", para demonstrar a questão da vontade própria.


Seguir o livre-arbítrio é também saber das consqüências de suas escolhas. Um grande exemplo mostrado pelo grupo, preferindo chamá-lo de "pessoa livre-arbítrio", foi Cazuza. Criam-se os dois lados: liberdade ou displicência? O ideal seria o livre-arbítrio somado ao bom senso.


Após o término da apresentação os integrantes do Grupo 1 convidaram o restante da sala para debaterem sobre o livre-arbítrio. Um tema um tanto quanto polêmico e difícil de ser tratado.


Assim termino meu breve comentário a respeito do mini-seminário do dia 16 de agosto de 2007.


Um grande abraço aos ignorantes.

Imagem retirada do site www.bemnanet.com.br.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Livre para ponderar


É preciso pensar antes de agir, pois todo ato pessoal pode gerar uma conseqüência coletiva, negativa ou positiva. A vida em sociedade traz responsabilidades, já que muitas vezes nossas escolhas refletem e interferem na vida alheia, e as leis – morais, éticas, jurídicas – existem para mediar as relações dos indivíduos e prezar pela organização e pelo respeito mútuo.

Por outro lado, nada mais justo do que poder fazer o que quiser, afinal, cada um cuida da própria vida como bem entender. As decisões são pessoais, e diferem de acordo com a visão das pessoas: o que fazer com sua vida, seu corpo, seu dinheiro, sua família, sua casa, é dever e problema exclusivamente seu. Soltar-se das amarras que limitam nossas ações é uma maneira de viver plenamente a liberdade: o livre-arbítrio como regra absoluta e indiscutível.

Há diversas maneiras de pensar o assunto, mas tudo o que fazemos causa reações, e é nelas que precisamos pensar para tomar decisões e fazer escolhas. A vontade pode, ou não, superar o bom senso, mas, no final, apesar das leis e limitações, somos livres para fazermos o que quisermos... e também para lidar com as conseqüências.

Refletindo sobre a liberdade de escolha, o Douta Ignorância decidiu aprofundar-se no tema, pesquisando sobre religião, filosofia, história.

O que é o livre-arbítrio? Como podemos usá-lo? O que pensaram os estudiosos sobre ele? Há limites para a liberdade de escolha quando vivemos em sociedade? Será que não somos nós que cerceamos nossa própria liberdade? Se não houvesse leis, nós respeitaríamos tanto o próximo e os outros elementos da sociedade (governo, bens públicos etc.)?

Este debate não se dará apenas na apresentação de hoje, até porque nunca caberia em 30 minutos, e nem pretendemos que caiba. Apenas lançamos uma semente de idéia e pensamento para que todos reflitam sobre o livre-arbítrio e seu papel na vida de cada um e de todos.

Crédito da imagem: www.cidadaodomundo.org

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"

Robert Musil em O Homem sem Qualidades

(colado do blog do jornalista Reinaldo Azevedo)

quinta-feira, 28 de junho de 2007

O que é a beleza de fato?


Em 24 de maio, o Grupo 3 (Cartesius) apresentou seu mini-seminário, tendo a Beleza como tema. O grupo deu enfoque à beleza feminina, gerando alguns contrastes em relação ao que era considerado como beleza feminina em meados do século XX e o que é hoje: a beleza das top models, Gisele Bündchen por exemplo.

Mas o que é a beleza? Eu sei que pode ser ou parecer corriqueiro, mas o que é belo para uns pode não ser para outros. Como o ditado popular: A beleza está nos olhos de quem vê...

A sociedade em que vivemos é muito ligada a estereótipos. Se todos falam que ser "daquele jeito" é "mais legal", sejamos daquele jeito... Mas creio que não são todos que pensam dessa maneira.

Mudando de foco, o grupo abordou também a beleza sob perspectivas filosóficas, como era de se esperar. Pitágoras fora citado, por ser o primeiro teórico a falar da beleza. Outro importante filósofo lembrado foi Platão.

Há muito o que ser pensado e analisado sobre a verdadeira beleza... termino assim meu breve comentário.

Um abraço aos Ignorantes,

Alexandre Ciszewski.

Música da Alanis e a vida na cidade grande..

Estava prestando atenção na letra da Alanis - última postagem - e relacionando com a escolha da palavra "Utopia" para denominar a Ilha "perfeita" de Thomas More.
A música nos leva à uma reflexão sobre a vida na cidade grande: as pessoas estão cada vez mais esmagadas pela própria pressa, vão perdendo o prazer de viver o dia dia e se sentem sufocadas pela rotina. A frieza e indiferença, já são ingredientes básicos na sobrevivência em grandes cidades, e o medo apavorante causado por tanta violência, faz de nós pessoas cada vez mais trancadas no próprio cazulo.
A vida na cidade grande, faz sentimentos desumanos e absurdos, irem aos poucos se incorporando à cultura, e virarem características corriqueiras do povo. Um mendigo jogado no meio da rua, gritando de dor, não é mais motivo para que os pedestres interrompam suas caminhadas, ou se preocupem. As pessoas parecem estar cegas umas em relação às outras no meio de tanta correria.

E correndo para que? Para trabalhar, para chegar mais cedo ao destino, para chegar...simplesmente chegar..Não se sabe aonde.
Deveríamos estar correndo é para nos lembrarmos dos princípios e valores básicos, que deixamos a cidade grande engolir..E para resgatar alguma Utopia COLETIVA.

Ou estarei sendo utópica demais?
Talvez...

Forte Abraço aos ignorantes!

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Música sobre Utopia

Eu e a Bia comentamos sobre esta musica durante a apresentação do seminário sobre Utopia e estou postando aqui para constar.

Utopia - Alanis Morissette

We'd gather around all in a room fasten our belts engage indialogue
we'd all slow down rest without guilt not lie without feardisagree sans
judgement

we would stay and respond and expand and include and allow and forgive and
enjoy and evolve and discern and inquire and accept and admit and divulge and
open and reach out and speak up

This is utopia this is my utopia
This is my ideal my end in sight
Utopia this is my utopia
This is my nirvana
My ultimate

we'd open our arms we'd all jump in we'd all coast down intosafety nets

we would share and listen and support and welcome be propelled by passion not
invest in outcomes we would breathe and be charmed and amused by difference
be gentle and make room for every emotion

we'd provide forums we'd all speak out we'd all be heard we'd all feel seen

we'd rise post-obstacle more defined more grateful we would heal be humbled
and be unstoppable we'd hold close and let go and know when to do which we'd
release and disarm and stand up and feel safe

this is utopia this is my utopia
this is my ideal my end in sight
utopia this is my utopia
this is my nirvana
my ultimate

Tradução:

Juntaríamos-nos todos em uma sala
Afrouxaríamos nossos cintos
Conversaríamos
Todos relaxariam
Descansaríamos sem culpa
Não mentir sem medo
Discordar sem julgamento

Nós ficaríamos
E responderíamos
E expandiríamos
E incluiríamos
E permitiríamos
E perdoaríamos
E aproveitaríamos
E envolveríamos
E discerniríamos
E inquiriríamos
E aceitaríamos
E admitiríamos
E divulgaríamos
E abriríamos
E alcançaríamos
E falaríamos

Essa é Utopia, essa é minha Utopia.
Esse é meu ideal meu “in sight” final.
Utopia, essa é minha Utopia.
Esse é meu nirvana.
Meu ultimato.

Abriríamos nossos braços
Nós todos pularíamos, nos deixaríamos cair
Nas redes de segurança

Nós dividiríamos
E ouviríamos
E apoiaríamos
E acolheríamos
Seriamos arrastados pela paixão
Não investiríamos em resultados
Nós respiraríamos
E seriamos encantadores
E apreciaríamos a diferença
Seriamos gentis
E aceitaríamos todas as emoções.

Nós providenciaríamos discussões
Todos falaríamos
E todos seriamos ouvidos
E nos sentiríamos notados.

Nós levantaríamos após os obstáculos
mais definidos
mais gratos
Nós nos curaríamos
Seriamos humildes
E nada poderia nos parar
Seguraríamos forte
E deixaríamos ir
E saberíamos quando fazer o que
Nós libertaríamos
E desarmaríamos
E suportaríamos
E sentiríamos seguros

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Utopia: breve comentário sobre o seminário

Assistimos ontem ao seminário do Grupo 2, O Olho do Tigre, sobre o livro Utopia, de Thomas More. Antes de fazer qualquer comentário mais aprofundado, gostaria de postar um texto meu com o qual automaticamente relacionei a apresentação de nossos colegas, que mostra o meu ponto de vista acerca do assunto. Segue, abaixo.


Ah, Utopia. Quantos não foram os dias que me salvastes da miséria que envolvia a realidade, quantos não foram os sonhos que acolhestes certamente incerta, quantas não foram as lágrimas que secastes com esperança, quantas não foram os desgraçados que em ti acreditaram e assim prosseguiram.

Utopia, querida, destes tudo aos que nada tinham, destes força aos mais enfermos de espírito, destes luz e vida. Tú, ilusão que não canso de ter, providenciastes um mundo melhor e justo, mesmo que provavelmente inexistente.

E penso que serás tú que fará nascer nos homens, como dantes já fizestes, a chama que clama por igualdade e felicidade.

Acreditar é o primeiro passo, mesmo em algo improvável, pois o improvável só torna-se impossível sem crença, sem tentativa, sem a Utopia que dá forças para criar uma realidade melhor. Parece bobo, ingênuo. Mas será com olhos de criança, sedentos de humanidade, que enxergaremos a Terra que construiremos. E será com olhos de cidadãos conscientes, maduros e realistas, que construiremos a Terra que enxergarmos.

Tanto já conseguiram os cientistas, os capitalistas, os revolucionários, os militares, os médicos.

Por quê não nós, utópicos? Acreditar é o primeiro passo, acredite.

.Acredite.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

MANIFESTAÇÃO NESSA QUINTA FEIRA

Achei interessante uma informação que li na última postagem do blog FOCO FILOSOFIA, feita pela Daniella do Jô C, e resolvi ler mais sobre o assunto para publicá-lo aqui.
Depois de semanas de ocupação de reitorias, assembléias e polêmicas, os alunos das universidades públicas resolveram fazer algo diferente para defenderem seus ideais contra os decretos de José Serra.
Ao invés de promoverem qualquer tipo de balbúrdia ou passeata, a idéia é fazer uma grande intervenção geral feita por todos os que são contra os decretos do governador e querem se manifestar, esteja em greve ou não, seja de universidades públicas, ou não. Essa manifestação foi denominada FLASHMOB e funcionará assim:
-Será uma mobilização relâmpago, de duração de apenas 5 minutos,
-Haverá o fechamento das 5 principais avenidas da cidade do seu campus,
-Serão feitas uma faixa para cada avenida, com uma frase de insatisfação em cada.
-Serão feitos panfletos manifestando a insatisfação coletiva com o governador.

Nestes 5 minutos os estudantes irão entregar panfletos de fácil compreensão para motoristas e pedestres . A idéia é que a manifestação seja pacífica e silenciosa, e que atinja diretamente a mídia e a população com o objetivo de que fique bem claro que as três universidades estão, além de insatisfeitas, unidas!

Frases segeridas para as faixas (segundo o site www.contraosdecretos.cjb.net)

1. Contra os decretos: A FAVOR DA TRANSPARÊNCIA.
2. Contra os decretos: ENSINO SUPERIOR NÃO É TURISMO.
3. Contra os decretos: CONTRA A INCONSTITUCIONALIDADE.
4. Contra os decretos: ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO PÚBLICA.
5. Contra os decretos: DECLARAÇÃO NÃO, REVOGAÇÃO!

Em São Paulo, o FLASHMOB vai acontecer nas seguintes avenidas:Avenida Paulista, Praça da Sé (Rua Benjamin Constant), Av. Rebouças, Av.Ipiranga (Av.São João) e Av.Brasil (Av. Brigadeiro Luiz Antônio).

Fica aí o convite a todos.

É uma pena que esse espírito de engajamento político e uso da criatividade para alcançar ideais de uma educação de melhor qualidade não esteja presente na maioria dos estudantes das escolas privadas - que pagam por essa educação, e em sua maioria, não se preocupam em questionar a qualidade do que estão pagando.
Alunos das instituições públicas têm o direito de cobrar do governo, mas nós, das escolas privadas, também o temos te cobrar de nossas instituições.Quem de vocês, que está lendo meu texto agora, e estuda na Cásper, já se preocupou em saber quem está no comando do Centro Acadêmico da Faculdade e o que está sendo feito? Poucos sabem das propostas da nova chapa ("Mal Educados"), e a maioria não tem o conhecimento de que pouco tem se conseguido fazer para melhorar a qualidade da educação na faculdade e controlar o aumento de preços da Faculdade, do restaurante "Monet" e do xerox.
Termino esse post, com uma música do Cazuza, que nunca esteve tão atual, perante a falta de ideologias da maioria dos jovens...pricipalmente os das Universidades privadas!

IDEOLOGIA - CAZUZA

Meu partido
É um coração partido
E as ilusões estão todas perdidas..
Os meus sonhos foram todos vendidos
Tão barato que eu nem acredito
Ah, eu nem acredito
Que aquele garoto que ia mudar o mundo(Mudar o mundo)
Frequenta agora as festas do "Grand Monde"
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
O meu tesão
Agora é risco de vida
Meu sex and drugs não tem nenhum rock 'n' roll
Eu vou pagar a conta do analista
Pra nunca mais ter que saber quem eu sou
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Pra viver
Pois aquele garoto que ia mudar o mundo(Mudar o mundo)
Agora assiste a tudo em cima do muro(em cima do muro)
Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Pra viver

Forte Abraço!

terça-feira, 19 de junho de 2007

O Prazer hoje

Em 31 de maio, assistimos ao mini-seminário do grupo Cabeças Bem Feitas, cujo tema central foi o prazer e seu conceito contemporâneo.
Atualmente, a busca pelo prazer tem-se integrado à busca pela felicidade, e ambas apóiam-se na ilusão do imediatismo e da simplificação das sensações e sentimentos.
Como conseqüência da modernidade e da rapidez tecnológica advinda da mesma, veio a distorção dos valores sociais, bem como das representações das necessidades humanas, físicas e emocionais. Superficialidade é a palavra-chave.
Usando como referências o livro Vida Líquida, de Zygmunt Bauman e as idéias de Hanna Arendt, teórica alemã, o grupo teceu comentários sobre as noções de prazer de nossa sociedade, apoiadas e difundidas pela mídia através de revistas de moda, programas de televisão, entre outros. O prazer imediato interessa para o consumo, pois ele gera uma satisfação apenas momentânea, portanto o consumidor voltará a procurar outras maneiras igualmente supérfluas, consumindo cada vez mais este modelo incompleto e simplificado de prazer.




Parabenizamos ao grupo pela escolha do tema, muito atual e interessante para discussão, bem como pela abordagem do mesmo!







Obs: Destaco aqui a publicação Biblioteca do Professor, da Revista Educação, Editora Segmento, cuja edição 4 é um especial da vida, obra e idéias de Hannah Arendt.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Mini-seminário e algumas reflexões...

O mini-seminário dos ignorantes tratou de um assunto que permeia nosso cotidiano e nem sempre recebe a devida atenção: o humor. O grupo mostrou os diveros olhares das produções artíticas e sociais, desde as primeiras abordagens do tema, como Moliére e Gil Vicente, até projetos sociais que usam o bom humor como cura.
As duas vertentes do humor, a que produz bom efeitos, e a que produz efeitos negativos, foram expostas como umaa maneira de reflexão. Ao invés de praticar o bulling, não é melhor ajudar alguém que não teria motivos para sorrir?
A conclusão está nas palavras de um gênio do humor, Charles Chaplin: "Você já tornou alguém feliz hoje? Ou fez alguém sofrer com o seu egoísmo?"

sábado, 12 de maio de 2007

Eu, Robô

Não vou falar do blockbuster do Will Smith (provavelmente o número um no ranking das demonstrações telões de alta definição nas lojas de eletrônicos) mas do livro de Isaac Asimov, de quem o referido filme tomou emprestado o título e pouca coisa mais.

Asimov (1920-92) foi bioquímico com Ph.D. em Columbia e um cultuadíssimo autor de ficção científica conhecido por incluir conceitos científicos complexos explicados de forma acessível em suas histórias. Criou um universo próprio para suas narrativas onde a humanidade convive com diversos tipos de robôs equipados com cérebros positrônicos (que funcionariam como o cérebro humano porém com capacidade de processamento violentamente superior). Nas histórias do cientista os robôs têm seu livre arbítrio limitado pelas suas famosas três leis da robótica:
  1. Um robô não pode fazer mal a um ser humano nem lhe deixar algum mal acontecer;
  2. Um robô deve obedecer às ordens dos seres humanos;
  3. Um robô deve defendera si próprio.
  • (As leis da robótica não se aplicam quando entram em conflito com outra precedente)
Eu, Robô (1950) é um livro de contos que narram a evolução dos robôs desde as primeiras máquinas, num tempo próximo ao nosso, até um futuro próximo onde a existência humana é radicalmente afetada e até condicionada à existência de supercomputadores conscientes e capazes de aparentemente qualquer coisa.
Cada conto do livro é um pequeno quebra-cabeça lógico sempre relacionado com as três leis, em todos são explorados tanto princípios científicos como comportamentos humanos. Listei alguns dos interessantes personagens dos contos:
  • QT-1 (Cutie): Criado para trabalhar numa usina de energia no espaço, Cutie começou a questionar sobre sua origem e razão da sua existência, concluindo que algum ser superior o havia certamente criado. A esse ser desconhecido chamou de Mestre (ou Senhor). Ridicularizou os cientistas quando o tentaram fazer entender que tinha sido criado pelos frágeis e intelectualmente limitados seres humanos.
  • RB-34 (Herbie): Devido a um defeito nunca encontrado, Herbie tinha a capacidade de ler pensamentos humanos e, como pelas leis da robótica não podia ferí-los, tornou-se o primeiro robô da história a aprender a mentir.
  • Stephen Byerley: Político de carreira promissora a quem um rival inescrupuloso deseja investigar. A razão: Stephen embora humano é conhecidamente respeitador das três leis da robótica. (Não machuca nenhuma pessoa, obedece as leis e se defende quando ameaçado).
  • Susan Calvin: Susan é o fio condutor do livro, escrito na forma de uma entrevista com esta psicóloga e especialista em robôs. Para ela, os robôs são seres humanos melhorados pela incapacidade (pelas três leis) de praticar o mal.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Análise COMPLETA do nosso seminário.

A metodologia utilizada pelo grupo, douta-ignorância , foi de subdividir o grupo para que o blog, o seminário e o mini-seminário ficassem aos cuidados de componentes diferentes. Sendo assim, Elton, Lígia, Fernanda, Malú, Bia e Lucílio cumpriram com perfeição sua parte da tarefa.
A apresentação foi feita, basicamente, de paralelos e comparações dos comportamentos de Sócrates e Martin Luther King, juntamente com uma análise geral da trajetória de ambos.
Luther King, tornou-se um dos mais importantes líderes do ativismo pelos direitos civis (para negros e mulheres, principalmente) nos Estados Unidos e no mundo, através de uma campanha de não-violência e de amor para com o próximo( assim como Sócrates). Se tornou a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da Paz em 1964, pouco antes de seu assassinato.
Diante da falta de ideologias dos jovens atuais, e da característica “apática” apresentada por grande parte dessa geração, é interessante nos remetermos a comportamentos como esses, e refletirmos sobre suas consequências para a humanidade. O orgulho de ser negro, e a vontade de mudar, tornam Luther King um ícone mundial.
Para encerrar o seminário, o grupo mostrou um clipe, com, a música “One Love”- U2, com fotos de pessoas que morreram para defender um ideal. Alguns dos mostrados foram: Tiradentes, Jesus Cristo, Antônio Conselheiro, Che Guevera, Nelson Mandela, Gandhi, John Lennon, entre outros.
Termino esse post, parabenizando o grupo pela apresentação, e deixando para nossa reflexão, um dos mais belos dircursos de todos os temos, feito por Martin Luther King:

I HAVE A DREAM
Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Indepêndencia, estavam assinando uma nota promissória de que todo norte americano seria herdeiro. Esta nota foi a promessa de que todos os homens, sim, homens negros assim como homens brancos, teriam garantidos os inalienáveis direitos à vida, liberdade e busca de felicidade.
Mas existe algo que preciso dizer à minha gente, que se encontra no cálido limiar que leva ao templo da Justiça. No processo de consecução de nosso legítimo lugar, precisamos não ser culpados de atos errados. Não procuremos satisfazer a nossa sede de liberdade bebendo na taça da amargura e do ódio. Precisamos conduzir nossa luta, para sempre, no alto plano da dignidade e da disciplina. Precisamos não permitir que nosso protesto criativo gere violência físicas. Muitas vezes, precisamos elevar-nos às majestosas alturas do encontro da força física com a força da alma; e a maravilhosa e nova combatividade que engolfou a comunidade negra não deve levar-nos à desconfiança de todas as pessoas brancas. Isto porque muitos de nosssos irmãos brancos, como está evidenciado em sua presença hoje aqui, vieram a compreender que seu destino está ligado a nosso destino. E vieram a compreender que sua liberdade está inextricavelmente unida a nossa liberdade. Não podemos caminhar sozinhos. E quando caminhamos, precisamos assumir o compromisso de que sempre iremos adiante. Não podemos voltar.
Digo-lhes hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amnhã, que eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte americano.
Eu tenho um sonho de que um dia, esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado de seus princípios: "Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos os homens são criados iguais".
Eu tenho um sonho de que, um dia, nas rubras colinas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e os filhos de antigos senhores de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de Mississipi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça.
Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.
Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos e cantar com as palavras do antigo spiritual negro:
" Livres, enfim. Livres, enfim. Agradecemos a Deus, todo poderoso, somos livres, enfim.

Um pouco mais sobre o Método Socrático


Tendo a Roberta falado um pouco mais da relação estabelecida entre Martin Luther King e Sócrates, detalharei um pouco mais a respeito do Método Socrático, assunto também discutido na apresentação.
O método socrático consiste numa prática muito famosa de Sócrates, o filósofo, em que, utilizando um discurso caracterizado pela maiêutica e pela ironia, levava o seu interlocutor a entrar em contradição, tentando depois levá-lo a chegar à conclusão de que o seu conhecimento é limitado.
Criada por Sócrates no século IV a.C., a maiêutica é o momento do "parto" intelectual da procura da verdade no interior do Homem. A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum - "conhece-te a ti mesmo" - põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude. Sócrates aplicou-a para questionar os supostos "detentores do conhecimento", que na verdade eram os nobres, que diziam-se mais sábios que o resto da população, e logo, que podiam controlá-los, pois eram superiores. Sócrates, em praça pública, questionava os nobres e suas atitudes, e estes, nada sabiam responder. Mostrou para todos que os nobres apenas tinham mais dinheiro, mas em relação ao resto, eram iguais ao povo.
Maiêutica é também sinônimo de obstetrícia, parte da medicina que estuda os fenômenos da reprodução na mulher. Maiêuta é o médico que presta assistência à mulher e seu feto no período de gravidez, assim como a mãe de Sócrates.


"É o método que consiste em parir idéias complexas a partir de perguntas simples e articuladas dentro dum contexto."


Beijos aos ignorantes!

terça-feira, 24 de abril de 2007

Nosso seminário

Na última quinta-feira,dia 19 de Abril, o nosso grupo DOUTA IGNORÂNCIA realizou o seminário sobre o tema proposto pelo professor: Apologia de Sócrates.
Para que houvesse um maior entendimento, e para tornar a apresentação mais interessante, o
grupo ultilizou-se de um paralelo com a trajetória de Martin Luther king para comparar à de Aristóteles. Com a semelhança de terem morrido por um ideal e, em vida, terem"incomodado" partes da sociedade pelos seus perfis revolucionários, Aristóteles e Luther King nos levam a uma boa reflexão sobre ideologias: os dois dedicaram sua vida para defender aquilo que achavam justo, e morreram por essa causa.
O grupo "Gazeta Cartesius" relatou nossa apresentação com um texto muito interessante:

" Na última quinta-feira, o grupo Douta Ignorância apresentou um seminário sobre o livro "A Apologia de Sócrates", obra escrita por Platão, discípulo do tão importante filosofo que divide os "amantes da sabedoria" em pré e pós sua existência. Eles contaram um pouco da vida de Sócrates, como as profissões de seus pais (artesão e parteira), foram importantes para sua formação e para sua busca de encontrar o verdadeiro conhecimento. Sócrates não escreveu uma linha, ele não gostava de livros, dizia que, por causa deles, os jovens não usariam mais a memória e depositariam toda a responsabilidade sobre os objetos, dessa forma, se tornariam incapazes de pensar sozinhos e evocar o conhecimento de si próprios. Um dos episódios mais famosos na vida de Sócrates é o que ele visita o Oráculo dos Delfos e pergunta quem é o homem mais sábio de Atenas, o Oráculo responde que é ele mesmo, Sócrates. Claro que o filósofo não acredita nisso, porque considera-se um ignorante, e vai conversar e desafiar com suas habituais perguntas os homens considerados mais sábios na cidade. Só então ele percebe que aqueles homens não eram nada sábios, mas achavam que eram, enquanto ele, que não se achava sábio, era tido como o homem mais sábio. Ele se dá conta que a sabedoria só pode ser, então, conhecer a própria ignorância. Sei que nada sei Todos conhecemos o destino de Sócrates. Ele incomodou as autoridades quando desafiou as pessoas a pensarem e foi condenado à morte por corromper a juventude, negar os deuses da pátria e de "pesquisar debaixo do solo e pelos céus". Ele poderia ter escapado, seja indo embora de Atenas, pedindo para permanecer preso ou pagar uma multa, ou ainda renegando tudo o que acreditava e dizendo que estava completamente errado, mas ele não o faz, prefere morrer fiel a si mesmo à viver uma mentira. É evenenado e morto. O que os poderosos de Atenas não sabiam, no entando, era que eles podem matar um homem, mas a idéia é imortal. A prova disso é que atualmente, em 2007, universitários fazem seminários sobre ele e seu legado. Uma das partes mais importantes do seminário foi a comparação entre Sócrates e Martin Luther King. Isso mostrou que, não importa onde e quando, é possível viver por uma idéia e até morrer por ela. Como fechamento, foram mostradas diversas fotos de pessoas que acreditaram numa causa e lutaram por ela até as ultimas consequências, como Jesus Cristo, Gandhi, Ernesto "Chë" Guevara e tantos outros. Entre eles, no entando, não estava o grupo Rosa Branca, um dos únicos representantes da resistência contra Hitler dentro da Alemanha, e que, com certeza, se enquadravam nos quesitos necessários para estar ao lado de King, Sócrates e todos os outros. O grupo era formado por estudantes universitários de 21 a 25 anos e trabalhavam para abrir os olhos do povo alemão e alertar que Hitler estava cometendo, segundo eles mesmos, "o maior crime já cometido" e que a Alemanha estava fadada a se tornar o país mais odiado do mundo por conta disso. Em 1943, a Gestapo prendeu três integrantes do Rosa Branca, o casal de irmãos Hans e Sophia Scholl e o amigo deles, Christoph Probst, e os condenou à morte. A grande questão é que eles poderiam ter se livrado da pena maior, se renegassem tudo o que acreditassem e dissessem o que os oficiais nazistas queriam ouvir, mas não fizeram isso. Eles estavam completamente convencidos de que acreditavam no que era certo e deveriam lutar por isto. "Amanhã suas cabeças é que serão cortadas" não se sabe qual dos dois Scholl que disse essa frase durante o tribunal, mas ela é suficiente para ilustrar suas convicções e coragem. Ainda, a última frase dita por Hans Scholl, já com a cabeça presa na guilhotina, foi "Vida Longa à Liberdade!". Hoje em dia os integrantes do Rosa Branca, mais especificamente os três citados anteriormente, são considerados heróis nacionais na Alemanha e todos os folhetos distribuídos pelo grupo estão na internet traduzidos em diversas línguas. Por favor, duplique e passe adiante! - Era com essa frase que assinavam suas manifestações. Os homens morrem, mas as idéias são eternas. Sócrates provou que isso era verdade, assim como todos aqueles que seguiram seu exemplo. "

(Gabriela Silva do Nascimento)

segunda-feira, 23 de abril de 2007

O inicio da vida







Um dos assuntos mais polêmicos da atualidade foi o tema de uma audiência pública realizada na ultima sexta-feira (20/04) no Supremo Tribunal Federal. Os ministros ouviram um certo grupo de cientistas e deverão emitir um veredicto, em breve, sobre a questão: “quando começa a vida humana?”. Se a decisão tomada for a de que um embrião de poucas células é um ser vivo com status de pessoa, a lei que protege os estudos de células-tronco com embriões humanos sofrerá alterações, deixando muitos cientistas aborrecidos.
A pesar de se tratar de um assunto envolvendo diversas questões morais e éticas, nenhum filósofo foi convidado a depor. Em entrevista concedida ao jornal FOLHA DE S.PAULO, o professor do de filosofia da USP, Maurício de Carvalho Ramos comenta: "Aqueles que estão engajados em pesquisa científica avançada já abdicaram do problema da [definição da] vida faz tempo... A ciência estuda sistemas biológicos materiais e a resposta de o que vem a ser vida é metodologicamente posta de lado.".
A proibição das pesquisas é defendida pelo ex-procurador-geral Claudio Fonteles e pela Confederação Nacional de Bispos do Brasil. Não se poderia tratar de um tema tão polêmico sem se levar em conta as opiniões religiosas, mas não se pode, na opinião de Maurício de Carvalho, tomar alguma decisão apenas pelo ponto de vista da Igreja: "Se o critério para escolha daquelas pessoas foi o vínculo delas com alguma religião, qualquer conclusão a que o debate chegue vai ser inconveniente".
Em meio a tantas contradições, fica claro que a decisão tomada pelo STF servirá apenas para a definição de leis, pois, enquanto o tema não for discutido mais a fundo, levando-se em conta a opinião de filósofos e sociólogos ou até mesmo o voto popular, a decisão tomada pelos ministros não poderá ser considerada “humanamente” justa.
A polêmica seguirá e cada um continuará tendo suas próprias opiniões sobre o tema, afinal é muito difícil de chegar a um conceito comum sobre qual a vida que vale mais: a dos doentes que necessitam dos tratamentos beneficiados pela pesquisa, ou a dos embriões em formação. Segue o duelo entre as chamadas “vidas potenciais”.

domingo, 15 de abril de 2007

O Grande Irmão


Por que a febre?

O último mini-seminário que apresentaram foi a respeito dessa febre nacional e mundial que se tornou o Big Brother. O termo Big Brother (Grande Irmão) é referência direta ao personagem homônimo do livro “1984”, de George Orwell. No livro, escrito em 1948, o autor prevê que em 1984 o mundo viveria em uma ditadura totalitária e o governo controlaria a vida da população através do Grande Irmão. Nada foge à visão dessa figura abstrata. Esse controle nos faz pensar melhor, não só nos reality-shows, mas nas redes de amigos criadas na Internet, como o Orkut, que detém informações de milhões de pessoas em todo do mundo, observando-as através de fotos e mensagens. O grupo também explicitou Foucalt e seu livro Vigiar e Punir, detalhando as relações de poder entre um soberano e os subordinados, nesse caso, os confinados da casa. Mencionaram também o modelo do Panóptico , um sistema de prisão com disposição circular das celas individuais, dividas por paredes e com a parte frontal exposta à observação do Diretor por uma torre do alto, no centro, de forma que o Diretor “veria sem ser visto”. Isto permitiria um acompanhamento minucioso da conduta do detento, aluno, militar, doente ou louco, pelo Diretor, mantendo os observados num ambiente de incerteza sobre a presença concreta daquele. Essa incerteza resultaria em eficiência e economia no controle dos subalternos, pois tendo invadida a sua privacidade de modo alternado, furtivo, incerto, ele mesmo se vigiaria. E se compararmos com o Big Brother, é exatamente isso o que acontece. Pessoas presas e vigiadas o tempo inteiro, não sabem por quem, mas sabem que estão sendo vigiadas, o que gera os variados comportamentos observados durante o programa.
Os limites da exploração do corpo humano foram quase atingidos e vê-se agora uma exploração do próprio ser social. Uma exploração não ligada ao nosso voyeurismo pornô – já que sexo e pornografia encontram-se por toda parte -, mas ao espetáculo banal, da convivência social manipulada, do ser humano como centro de uma sociedade superficial.Os reality-shows vêm consolidar esse processo. A realidade virtual se torna mais interessante que a vivência da própria realidade. O telespectador passa a obter um poder que na sociedade ele não desfruta, controlar, decidir e eliminar.Se sentem menos idiotas ao enxergar os erros banais dos participantes, se sentem menos idiotas que o espetáculo. Essa é a grande estratégia do programa.Um sentimento de poder e controle.Assim, estamos diante da ruptura dos ideais políticos, dos conceitos de poder e democracia, o que o sociólogo e filósofo francês Jean Baudrillard conceitua de “Democracia Radical”, exaltação máxima por uma qualificação mínima, glória virtual.Assistimos ao programa, votamos, decidimos, nos mobilizamos em um clima eleitoral esperando um vencedor. Ao término do programa, nada. Um grande passo ao niilismo democrático. A linha exata entre democracia e ditadura, combinando o poder do voto democrático com o paredão ditatorial fidelista, eliminando participantes.
Enfim, a sociedade chega ao seu estopim: observar seus próprios indivíduos em casas de vidros e espelhos, um narcisismo de auto-observação.O fim do ser singular, do individualismo, dos valores políticos.Tudo se tornou banal e superficial com o Big Brother, mas a pergunta que os próprios integrantes do grupo lançaram e eu não consegui obter uma resposta, e acredito que muitos também não, por que é algo que mobiliza tantas pessoas? Será o nosso interesse pelo que nos é alheio? Talvez, porque nos identificamos com muitas das figuras que estão ali dentro? Não sei. Como explicar todo esse nosso interesse, paixão e mobilização perante algo considerado tão fútil?